Fotos: Sandra Bossio (ICAR) / Pastor Norando (IPU)
sábado, 19 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
25 anos do espírito de assis
No dia 27 de outubro celebra-se em todo o mundo o Espírito de Assis que neste ano completa 25 anos.
Neste momento significativo recordaremos a atitude de diálogo fundamental do papa João Paulo II, quando nesse dia, do ano 1986, convidou líderes de diferentes Religiões e Credos para rezarem juntos na Igrejinha da Porciúncula em Assis, a favor da Paz!
Assim, todos nós podemos juntos nos reunirmos na celebração do diálogo inter-religioso, nas diferentes fraternidades e de diversos meios se faça celebrar a paz e a vida entre os povos e as religiões.
Que essa atitude de diálogo fraterno pela Paz nos envolva de forma pessoal e comunitária e que em nossos grupos, pastorais, comunidades onde celebramos, paróquias ou movimentos onde atuamos façamos uma "memória celebrativa" e "jubilar".
O Diálogo em favor da Paz é algo de que a sociedade "geme em dores de parto". Nós franciscanos a exemplo do nosso Pai Seráfico somos convidados a sermos os pioneiros na promoção da Paz e do Bem a todos os homens, culturas e povos.
Fique sabendo... O Espírito de Assis
Em 27 de outubro de 1986, João Paulo II realizou um grande sonho: ele convidou os representantes das religiões do mundo a Assis, para que uma única canção de paz, provenientes de muitos corações e em muitas línguas, pudesse ser enviada ao Deus único. Este convite foi aceito por 70 representações das principais religiões. Eles ofereceram a esperança de um mundo diferente: renovado, profundamente fraterno e verdadeiramente humano. O evento em si trouxe uma importante mensagem: que o desejo de paz é compartilhado por todas as pessoas de boa vontade, mas tendo em conta a situação do mundo e as relações entre os povos, a paz verdadeira só pode ser alcançada através de uma intervenção divina.
A reunião foi de orações. A oração foi desenvolvida no contexto espiritual de cada uma das religiões ali presentes. Os participantes foram convidados a tocar sua interioridade na liberdade, levando a oração de toda a humanidade a Deus. Eles reconheceram que os seres humanos por si só não são capazes de alcançar a paz que almejam.
Parece que o clima de fraternidade universal que paira sobre a cidade de São Francisco tocou os corações das pessoas, provenientes das mais diversas origens. Esta experiência foi nomeada como o Espírito de Assis, e em 1987 na mensagem do Dia Mundial da Paz também foi chamado de "A Lógica de Assis".
Durante a primeira reunião, na frente da capela da Porciúncula, João Paulo II disse que escolheu "a cidade de Assis como local para este dia de oração, devido ao significado especial do santo venerado aqui, São Francisco, que é conhecido por muitos em todo o planeta como um símbolo de paz, reconciliação e fraternidade." Desta maneira, o Papa decidiu promover esta iniciativa em nome de São Francisco, o homem que derruba barreiras, e que é irmão de todos.
Em 2011 vamos comemorar o 25º aniversário do primeiro encontro do Espírito de Assis. Essa comemoração será realizada nos locais originais, na cidade de Assis. Uma mensagem de paz é tão necessária hoje quanto era há 25 anos atrás, juntamente com um compromisso concreto de construção da paz em nosso mundo. Como Bento XVI afirmou há cinco anos atrás, o mundo mudou desde a primeira comemoração. Às religiões não é pedido apenas o diálogo, mas sim que esse diálogo possa alcançar a todas as pessoas, sejam elas crentes ou não. Mais ainda, estamos sendo desafiados a ir para além da humanidade, porque a violência está chegando também à criação de Deus. Há uma consciência crescente em todas as tradições religiosas que o respeito e as relações pacíficas devem ser cultivadas entre todas as pessoas e, da mesma forma, entre as pessoas e todas as criaturas.
Seremos fortalecidos se nos unirmos no Espírito de Assis e rezarmos, como nossas respectivas tradições religiosas nos ensinam, para que nos comprometamos com ações concretas que nos permitam enfrentar as ameaças à paz e ao meio ambiente em nosso mundo hoje.
Fonte: Equipe de Comunicação do Site Santuário e subsídio do Material Espírito de Assis.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
sábado, 24 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Nota da CNBB: Vencer a corrupção com mobilização social
O Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido em Brasília de 20 a 22 de setembro de 2011, manifesta sua solidariedade e apoio às últimas manifestações populares contra a corrupção e a impunidade, que corroem as instituições do Estado brasileiro.
A crescente interpelação da sociedade para melhor qualificar, social e eticamente, os seus representantes e outros poderes constituídos, se expressou como nova forma significativa do exercício da cidadania. Reveladora dessa consciência cidadã foi, além das atuais marchas contra corrupção, a mobilização durante a Semana da Pátria, que recolheu mais de 150 mil petições via internet em favor da campanha “Vamos salvar a Ficha Limpa”, fruto de ação popular que, neste mês completa um ano.
Atentos para que estas mobilizações se resguardem de qualquer moralismo estéril, incentivamos sua prática constante, com objetivos democráticos, a fim de que, fortificadas, exijam do Congresso Nacional uma autêntica Reforma Política, que assegure a institucionalidade do País.
O Estado brasileiro deve fazer uso dos instrumentos legais para identificar, coibir e punir os responsáveis por atos de corrupção. Sem comprometimento ético, no entanto, será impossível banir de nosso meio a longa e dolorosa tradição de apropriação do Estado, por parte de alguns, para enriquecimento de pessoas e empresas.
Neste sentido, insistimos nas propostas apresentadas, em nota conjunta da CNBB com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no dia da Pátria:
“Para tornar vívido o sentimento de independência em cada brasileiro, devem os poderes eleger PRIORIDADES que reflitam a vontade da população, destacando-se: no Executivo, a necessidade de maior transparência nas despesas, a efetiva aplicação da lei que versa sobre esse tema, bem como a aplicação da “Lei da Ficha Limpa” aos candidatos a cargos comissionados, que também deveriam ser reduzidos.
No Legislativo, a extinção das emendas individuais ao Orçamento, a redução do número de cargos em comissão, o fim do voto secreto em todas as matérias e uma reforma política profunda, extirpando velhas práticas danosas ao aperfeiçoamento democrático.
No âmbito do Judiciário e do Ministério Público, agilidade nos julgamentos de processos e nos inquéritos relativos a crimes de corrupção e improbidade por constituírem sólida barreira à impunidade, bem como o imediato julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade sobre a Lei Complementar n. 135/2010 (Ficha Limpa)”.
Que o Espírito Santo ilumine todos os que, no exercício de sua cidadania, trabalham pela construção de um Brasil novo, justo, solidário e democrático.
Brasília-DF, 22 de setembro de 2011
P – Nº 0913/11
Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Dom Sergio Arthur Braschi
Bispo de Ponta Grossa
Vice-Presidente da CNBB Ad hoc
Bispo de Ponta Grossa
Vice-Presidente da CNBB Ad hoc
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB
Fonte: Canção Nova Notícias
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
CNBB escolhe lema da Campanha da Fraternidade de 2013
"Eis-me aqui. Envia-me" (Is 6,8). Este é o lema da Campanha da Fraternidade de 2013, escolhido nesta quarta-feira (21) pelo bispos integrantes do Conselho Episcopal de Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O tema da Campanha da fraternidade de 2013 será "Fraternidade e Juventude".
Também en 2013 acontecerá a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, quando jovens do mundo inteiro se encontrarão com o Papa Bento XVI. O tema da JMJ será "Ide e fazei discípulos entre todas as nações"(Mt 28,19).
Fonte: Jovens Conectados - Setor Juventude da CNBB
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
O QUE DEUS ESPERA DE NÓS? , por Pe. Paulo Homero Gozzi
Qual era a intenção de Deus, com que propósito criou a humanidade? Teria algum plano, algum projeto para nós? Afinal, o que Ele espera de nós? Ninguém pode duvidar que a vontade de Deus é ver seus filhos unidos. Não existe tristeza maior para um pai do que ver seus filhos desunidos... Dizia-me um pai: “Tenho um desgosto muito grande quando vejo meus cinco filhos brigando. Eles não se entendem, cada um foi para um lado, não se falam mais. Não foi para isso que os criei com tanto carinho e dedicação. Quando converso com eles vejo que cada um se julga com a razão e conhece perfeitamente os defeitos e os erros dos outros...”
Eu fico imaginando: se um pai sofre tanto vendo os filhos separados, como estará o coração de Deus, que é o Pai perfeito, vendo guerras que não acabam mais? É guerra entre pessoas, guerra dentro das famílias, guerra entre nações... A finalidade da Igreja, discípula e continuadora da missão de Cristo, é ser modelo, exemplo de união para todo o mundo. A Igreja é o sinal visível, o sacramento da unidade entre todos os povos. O mundo deveria buscar a unidade tendo como modelo a Igreja, que se espelha na unidade do Deus Trindade.
Quando vejo cristãos que não querem a unidade com os outros cristãos, pelo contrário, alimentam a separação, insistem e aguçam as diferenças, agredindo verbalmente os outros, eu tenho certeza de que não crêem em Cristo, sua profissão de fé é mentirosa. Diz João Paulo II em sua Carta Ut unum sint, no nº. 9: “Acreditar em Cristo significa querer a unidade; querer a unidade significa querer a Igreja; querer a Igreja significa querer a comunhão de graça que corresponde à intenção do Pai desde toda a eternidade. Este é o significado da oração de Cristo: ‘Que todos sejam um’”.
Diante da realidade de um mundo cada vez mais descrente, cada vez mais materialista, o cristão verdadeiro deve se convencer de que não há nada mais urgente do que procurar a unidade com seus irmãos de outras Igrejas e comunidades, para que o mundo possa crer. Não adiante inventar métodos novos de evangelizar de forma isolada, sem pensar no testemunho conjunto com outros cristãos. Se decidirmos já a trabalhar juntos, ainda que nossa comunhão não seja completa, os meios para evangelizar se multiplicarão. Reconhecendo que temos o mesmo batismo, a mesma graça, o mesmo Espírito e somos filhos do mesmo Pai, comecemos a trabalhar juntos. A união vai acontecer na ação e não na discussão. É o que Deus espera de nós!
Fonte: Multirão Ecumênico
domingo, 18 de setembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
COMANDANTE CARLOS LAMARCA (1937-1971): VENCER OU MORRER
Autor: Celso Lungaretti
Hoje se completam 40 anos da morte do comandante Carlos Lamarca, que estava debilitado e indefeso quando foi covardemente executado pela repressão ditatorial no sertão baiano, em 17 de setembro de 1971, numa típica vendetta de gangstêres.
O que há, ainda, para se dizer sobre Lamarca, o personagem brasileiro mais próximo de Che Guevara, por história de vida e pela forma como encontrou a morte?
Foi, acima de tudo, um homem que não se conformou com as injustiças do seu tempo e considerou ter o dever pessoal de lutar contra elas, arriscando tudo e pagando um preço altíssimo pela opção que fez.
Teve enormes acertos e também cometeu graves erros, praticamente inevitáveis numa luta travada com tamanha desigualdade de forças e em circunstâncias tão dramáticas.
Mas, nunca impôs a ninguém sacrifícios que ele mesmo não fizesse. Chegava a ser comovente seu zelo com os companheiros -- via-se como responsável pelo destino de cada um dos quadros da Organização e, quando ocorria uma baixa, deixava transparecer pesar comparável ao de quem acaba de perder um ente querido.
Dos seus melhores momentos, dois me sensibilizaram particularmente.
Logo depois do Congresso de Mongaguá (abril/1969), quando a VPR saía de uma temporada de luta interna e de quedas em cascata, o caixa estava a zero e a rede de militantes, clandestinos em sua maioria, carecia desesperadamente de dinheiro para manter as respectivas fachadas -- qualquer anomalia, mesmo um atraso no pagamento de aluguel, poderia atrair atenções indesejáveis.
Mas, o chamado grupo tático fora o setor mais duramente golpeado pelas investidas repressivas.
Mas, o chamado grupo tático fora o setor mais duramente golpeado pelas investidas repressivas.
Então, quando se planejou a expropriação simultânea de dois bancos vizinhos, na zona Leste paulistana, o pessoal experiente que sobrara não bastava para levá-la a cabo.
Eu e os sete companheiros secundaristas que acabáramos de ingressar na Organização fomos todos escalados -- na enésima hora, entretanto, chegou a decisão do Comando, que me designou para criar e coordenar um setor de Inteligência, então fiquei de fora.
Lamarca, procuradíssimo pelos órgãos repressivos, fez questão de estar lá para proteger os recrutas no seu batismo de fogo. Os outros quatro comandantes tudo fizeram para demovê-lo, em nome da sua importância para a revolução. Em vão. A lealdade para com a tropa nele falava mais alto.
Depois de muita discussão, chegou-se a uma solução de compromisso: ele não entraria nas agências, mas ficaria observando à distância, pronto para intervir caso houvesse necessidade.
Houve: um guarda de trânsito, alertado por transeunte, postou-se na porta de um dos bancos, arma na mão, pronto para atingir o primeiro que saísse.
Lamarca, que tomava café num bar a 40 metros de distância, só teve tempo de apanhar seu .38 cano longo de competição, mirar e desferir um tiro dificílimo -- tão prodigioso que, no mesmo dia, a ditadura já percebeu quem fora o autor. Só um atirador de elite seria capaz de acertar.
Segundo o Darcy Rodrigues, foi a vida dele que Lamarca salvou. O próprio, contudo, contou-nos que seria um dos novatos o primeiro alvejado.
Como resultado, a repressão teve pretexto para fazer de Lamarca o inimigo público nº 1 -- e, claro, o fez. A imagem dele foi difundida à exaustão, obrigando-o a redobrar cuidados e até a submeter-se a uma cirurgia plástica.
Também teve de brigar muito com os demais dirigentes e militantes, para salvar a vida do embaixador suíço Giovanni Butcher, quando a ditadura se recusou a libertar alguns dos prisioneiros pedidos em troca dele e ainda anunciou que o Eduardo Leite (Bacuri) morrera ao tentar fugir.
Também teve de brigar muito com os demais dirigentes e militantes, para salvar a vida do embaixador suíço Giovanni Butcher, quando a ditadura se recusou a libertar alguns dos prisioneiros pedidos em troca dele e ainda anunciou que o Eduardo Leite (Bacuri) morrera ao tentar fugir.
Dá para qualquer um imaginar a indignação resultante -- afinal, as (dantescas) circunstâncias reais da morte do Bacuri ficaram conhecidas na Organização.
Mesmo assim Lamarca não arredou pé, usando até o limite sua autoridade para evitar que a VPR desse aos inimigos o monumental trunfo que as Brigadas Vermelhas mais tarde dariam, ao executarem Aldo Moro. O episódio foi tão traumático que ele acabou deixando a VPR.
E, no MR-8, novamente divergiu da maioria dos companheiros -- quanto à sua salvação.
Pressionaram-no muito para que saísse do Brasil, preservando-se para etapas posteriores da luta, pois em 1971 nada mais havia a se fazer. Aquilo virara um matadouro.
Conhecendo-o como conheci, tenho a certeza absoluta de que não perseverou por acreditar numa reviravolta milagrosa. Em termos militares, suas análises eram as mais realistas e acuradas. Nunca iludia a si próprio.
O motivo certamente foi a incapacidade de conciliar a idéia de fuga com todos os horrores já ocorridos, a morte e os terríveis sofrimentos infligidos a tantos seres humanos idealistas e valorosos. Fez questão de compartilhar até o fim o destino dos companheiros, honrando a promessa, tantas vezes repetida, de vencer ou morrer.
Doeu -- e como! -- vermos os militares exibindo seu cadáver como troféu, da forma mais selvagem e repulsiva.
Mas, ele havia conquistado plenamente o direito de desconsiderar fatores políticos e decidir apenas como homem se preferia viver ou morrer.
Merece, como poucos, nosso respeito e admiração.
Fonte: Naufrágio da Utopia
Fonte: Naufrágio da Utopia
D. PAULO EVARISTO ARNS, UM IMPRESCINDÍVEL
Autor: Celso Lungaretti
há outros que lutam um ano, e são melhores;
há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons.
Porém há os que lutam toda a vida, esses são os imprescindíveis."
(Bertolt Brecht)
D. Paulo Evaristo Arns acaba de completar 90 anos. A grande imprensa, que tão pouco o tem lembrado ultimamente, voltará a fazê-lo por um tempinho... e depois o esquecerá de novo, até que se torne centenário ou que morra.
Pior: alguns jovens formam seu conceito sobre ele a partir do que lêem nos textos repulsivos da propaganda ultradireitista, apontando-o como principal inspirador da política de direitos humanos “que só protege os bandidos”...
Já para nós, os revolucionários que prezamos os direitos humanos, ele é um daqueles imprescindíveis a que se referiu Brecht. Neste Brasil da ganância exacerbada e da competição insana que o capitalismo globalizado está engendrando, é fundamental evocarmos exemplos como este, até como antídoto.
Cardeal e arcebispo emérito de São Paulo, D. Paulo é hoje um homem combalido e tem problemas de audição – decorrentes, esclareceu-me, de ferimentos sofridos quando de uma tentativa de seqüestro num país latino-americano (pretendiam obter, em troca, a liberdade de um chefão do narcotráfico).
A entrevista que fiz em 2003 com D. Paulo permanece atual, daí eu estar reproduzindo aqui seus principais trechos Não quis privar os leitores da oportunidade de conhecer-lhe a história a partir de suas próprias palavras, que tive o privilégio de escutar numa ensolarada tarde de dia útil, no convento franciscano que fica ao lado da tradicional Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
No final, apesar de sua dificuldade de locomoção, fez questão de percorrer comigo o longo caminho até o corredor. E se despediu com uma frase marcante: "Precisamos contar essas histórias [do que aconteceu neste país durante a ditadura militar] às novas gerações. É importante que elas saibam de tudo isso!"
A MISSÃO DO EDUCADOR
Muitos programas pioneiros, na linha da inserção social, foram introduzidos na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) entre novembro/1970 e maio/1998, período em que, como arcebispo metropolitano de São Paulo, D. Paulo foi Grão Chanceler da instituição.
Logo que se tornou o principal responsável pelos rumos dessa universidade, D. Paulo fez primeira visita ao Conselho da PUC. E disse: "Não quero uma escola de 2º grau melhorada. O que me interessa é que vocês façam uma pós que dê bons professores para todos os lugares do Brasil; e que todas as teses e tudo o que vocês discutirem além da escola se refira ao povo e ajude o povo. Que isso seja a norma daqui para a frente".
Os resultados não tardaram, diz D. Paulo. "A Arquidiocese se organizou em pastorais diferentes – p. ex., a Operária, a da Terra, a do Trabalhador –, então eu consegui que a Faculdade de Direito se interessasse em ir, durante a semana ou no sábado, à periferia e ver como se poderia ajudar essa população e quais os problemas reais da periferia. A mesma coisa aconteceu com a assistência social, que, aliás, está trabalhando nessa linha até hoje, com métodos sempre novos e recebendo apoio da Europa e de outros lugares, com uma eficiência muito grande."
Hoje, essas iniciativas pioneiras da PUC/SP encontraram muitos seguidores e há um sem-número de empresas e instituições esforçando-se para dar uma contribuição positiva à sociedade.
OFÍCIOS PARA VÍTIMAS DA DITADURA
"Os estudantes da USP me procuraram em 1973 quando um colega [Alexandre Vannucchi Leme] foi assassinado pelos órgãos de segurança. Os estudantes se reuniram, uns 10 mil, e mandarem representantes à minha casa, à noite, para que eu fosse lá falar aos alunos. Eu disse que era melhor reunir os estudantes, mas não dava para fazer no campus da universidade, porque ele estava cercado por policiais e oficiais do Exército.
"Então, decidi fazer na catedral. Eu disse: 'Na catedral, nós falamos o que queremos, e nós falaremos aos estudantes. Encham a catedral de estudantes e de povo, que nós diremos a verdade'. E foi o que eles fizeram. Às 15h, eu fui lá, fiz aquele ato solene em favor do estudante e celebrei a missa para o falecido. Fiz o sermão sobre o 'não matarás!', o mandamento central dos 10 mandamentos. Foi sobre isso que eu falei para eles, e eles participaram, vivamente, da missa e de toda manifestação religiosa posterior.
"Depois, em 75, foi a vez do Herzog; em 76, a do Manuel Fiel Filho; e em 79, a do Santo Dias, quando recebemos de 150 mil a 200 mil pessoas, que andaram desde a igreja de Nossa Sra. da Consolação. A multidão foi engrossando. Ao chegar na Catedral da Sé, não cabia nem na igreja nem na praça, então nós fizemos uma cerimônia mais curta, mas muito mais participada por todos os operários."
MISSA DE 7º DIA DE VLADIMIR HERZOG
"Quando o Herzog foi assassinado – lembra D. Paulo –, em 1975, os jornalistas me pediram que houvesse um ato ecumênico na catedral. Os judeus fazendo o ato deles em hebraico, portanto, não na língua que compreendêssemos. Foi impressionante e muito bonito."
[Modesto, D. Paulo evitou comentar que sua decisão foi um ato de enorme coragem. Primeiramente, porque a alta hierarquia católica não viu com simpatia sua iniciativa de oficiar missa ao lado de um rabino e de um reverendo. Depois, por ser um desafio frontal à ditadura militar, que o presidente Geisel engoliu, pedindo apenas a D. Paulo que segurasse seus radicais, “enquanto eu seguro os meus”. Finalmente, por ter, em nome de ideal de justiça e solidariedade cristãs, corrido o risco da ocorrência de tumultos e mortes que teriam um peso devastador em sua consciência de religioso. Graças a ele, foi viabilizado o ato que acabou se tornando um divisor de águas: a partir dessa vitória sobre a intimidação, a ditadura começou sua lenta, mas irreversível, marcha para o fim.]
INVASÃO DA PUC EM 1977
"Eu estava em Roma quando o Erasmo Dias, então secretário da Segurança do estado de São Paulo, invadiu a PUC sem dizer ou ter motivo nenhum. Os estudantes estavam em exame e os policiais destruíram mais de 2 mil cópias de documentos, estragaram o refeitório, danificaram os instrumentos musicais e até derrubaram um professor no chão.
"Eu fui chamado às pressas de Roma e, na manhã seguinte, já dei uma declaração ao desembarcar no aeroporto, dizendo que 'na PUC só se entra prestando exame vestibular, e só se entra na PUC para ajudar o povo e não para destruir as coisas'. Depois, nós fizemos toda uma reação contra eles e toda uma manifestação junto aos estudantes."
ELEIÇÃO DIRETA PARA REITOR DA PUC
"No início dos anos 80, nós queríamos nos opor ao regime totalitário que estava vigorando no Brasil e provar que funcionários, professores e alunos são igualmente capazes de escolher o diretor, o reitor ou o presidente da instituição.
"Antes eu reunia o conselho de cada classe, para ter uma certa democracia entre os professores, e pedia que me indicassem o nome. Achei que era pouca democracia. Então, pedi à reitora e aos três vices para haver uma escolha entre todos os alunos, que eu aceitaria o resultado e mandaria para a aprovação de Roma.
"E Roma aprovou imediatamente. Então, foi a primeira eleição dentro de uma universidade pontifícia católica e, também, foi a primeira vez que se escolheu um reitor entre todos os funcionários, alunos e professores."
CONTRATAÇÃO DE PROFESSORES PERSEGUIDOS
"O ministro da Justiça ordenou a expulsão de vários professores da Universidade de São Paulo. Então a reitora da PUC me telefonou perguntando se podia admiti-los entre nós. Eu disse: 'Não só pode como deve, porque são excelentes professores e patriotas'.
"O Florestan Fernandes até escreveu um artigo me agradecendo. Ele ficou satisfeito porque pôde dirigir os estudantes da pós-graduação na PUC da maneira mais livre possível.
"Quanto ao Paulo Freire, eu fui a Genebra para convencê-lo a voltar ao Brasil, depois de 10 anos de exílio. Garanti que eu iria cuidar da chegada dele aqui. E mandei toda a nossa Comissão de Justiça e Paz, que eram mais de 40 pessoas, junto com amigos, para recebê-lo em Campinas.
"De fato a polícia o prendeu, mas, depois de duas horas de interrogatório, eles viram que todos estavam contra eles e soltaram o Paulo Freire, que ficou conosco, com uma grande amizade comigo, até o momento da sua partida."
CONVICÇÕES E ESPERANÇAS
Sobre o Governo Lula, antes mesmo da crise do mensalão, D. Paulo já mostrava uma ponta de apreensão, ao se dizer esperançoso de que “o Brasil não perca esta ocasião e não afunde o barco em vez de conduzi-lo a uma margem da terra onde haja outra terra e outro céu, como diria a Sagrada Escritura; onde haja outra possibilidade de sonhar e outra possibilidade de viver com dignidade, mas para todas as pessoas e não só para uma parte".
E, inquirido sobre o menor engajamento atual da Igreja às causas sociais, ele finalizou com uma mensagem de esperança: "A Igreja é o povo. Se o povo se mobiliza bem, a Igreja também se mobiliza. Então, é preciso unir esses dois conceitos, o povo de Deus e o povo, simplesmente. Nós precisamos caminhar para a fraternidade, para uma possibilidade de todos serem respeitados como filhos de Deus e irmãos uns dos outros".
EPÍLOGO
Não há como retratarmos a grandeza de um D. Paulo Evaristo Arns numa única entrevista. Faltou dizer, p. ex., que ele criou a Comissão de Justiça e Paz de São Paulo e foi o grande artífice do projeto Brasil: Nunca Mais (livro sobre as violações de direitos humanos durante o regime militar), integrando também o movimento Tortura Nunca Mais, dele decorrente.
O principal, no entanto, é que suas gestões junto às autoridades salvaram a vida e evitaram a tortura de resistentes, no pior momento da ditadura.
Fiel ao espírito da igreja das catacumbas, foi o pastor que tudo fez para que seu rebanho sobrevivesse a um tempo de lobos. Um imprescindível, enfim.
Fonte: Naufrágio da Utopia
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Grito dos Excluidos 2005 - "Brasil, Em Nossas Mãos a Mudança"
Fonte: Postado no Youtube por RedeRuadeComunicacao
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RedeRuadeComunicacao,
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
A realidade do Haiti e os desafios do trabalho social
Dia 13 de setembro, terça-feira, 10h, no Vicariato Social, estaremos recebendo o haitiano Rosnel Jean Batiste, coordenador do Tet Kole, organização social haitiana, com trabalhos na área de agricultura, produção de alimentos, alfabetização e formação.
Rosnel Jean Batiste passará ainda por São Paulo, Salvador e Porto Alegre. Em Belo Horizonte ele vem para agradecer a Arquidiocese de Belo Horizonte pelo apoio recebido por ocasião do terremoto. O projeto conveniado inclui alfabetização de jovens e adultos, reforma de escolas, compra de ferramentas para trabalho na agricultura e produção de alimentos. O projeto também apoiou o envio de profissionais veterinários, agrônomos e educadores e jornalistas.
O projeto Arquidiocese BH Pró Haiti, mobilizou mais de 550 mil reais já repassados ao povo do Haiti.
Fonte: Fred Santana/Vicariato
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A configuração religiosa brasileira
Em entrevista ao site do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo o sociólogo Paulo Barrera, professor do Programa em Ciências da Religião da Universidade Metodista e pesquisador do cenário religioso brasileiro, fala sobre os dados censitários mais recentes divulgados pelo IBGE. Leia a seguir:
Andar com fé
Por Elisa Marconi e Francisco Bicudo
Por Elisa Marconi e Francisco Bicudo
A edição 2008-2009 da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada há dez dias, traz informações socioeconômicas importantes e que chamam a atenção quando o assunto é especificamente a religiosidade dos brasileiros. Destacam-se à primeira vista, por exemplo, as mudanças de opções religiosas (fiéis que migram para outras crenças ou até mesmo para religião nenhuma). Ainda segundo o trabalho, pela primeira vez desde que levantamentos dessa natureza tiveram início, os católicos representam menos de 70% da população do Brasil (são cerca de 68%).
Outro número que merece um olhar mais atento está relacionado ao crescimento dos evangélicos (tradicionais e neopentecostais) e à ampliação do grupo que se intitula sem religião. Também recentemente, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciou o novo “Mapa das Religiões no Brasil”, estudo coordenado pelo economista Marcelo Neri, professor da instituição. Os dados revelados pela pesquisa se assemelham em vários pontos ao que foi constatado pelo IBGE. Os dois levantamentos foram matérias de revistas semanais e chegaram às manchetes dos principais jornais do país, reforçando que o assunto religião segue como um importante tema da agenda pública de discussões nacionais.
Entrevistado com exclusividade pelo SINPRO-SP, o sociólogo Dario Rivera, professor da pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), defende logo de início que, embora os números da POF e do mapa da FGV sejam significativos, eles não representam exatamente grandes novidades. “A diminuição suave no número de católicos, o aumento discreto na quantidade de pentecostais, e o fortalecimento do grupo dos sem-religião já eram tendências detectadas no Censo de 2000 e na POF de 2003”. Na verdade, ainda de acordo com Rivera, as informações divulgadas são muito recentes, de forma que não é possível traçar diagnósticos mais aprofundados a respeito dessa migração. “A bem da verdade, é pouca gente mudando de um grupo para outro”, reforça.
“Experimentação religiosa”
Talvez mais importante que a chamada “experimentação religiosa” – quando um fiel vai beber na fonte de outras religiões e, eventualmente, acaba ficando na nova igreja – seja a compreensão dos significados da secularização. A palavra remete à perda de importância paulatina que a religião, ou as crenças e valores religiosos, têm na vida das pessoas. Ou, em outras palavras, crer num deus e acompanhar a instituição que se organiza em torno dessa entidade vem deixando de ser um fator que pesa no momento de tomar decisões, escolher caminhos, experimentar novas possibilidades. “Esse não é um fenômeno brasileiro, é mundial e reflete o tempo em que vivemos, a sociedade que somos, que dá menos valor às determinações religiosas”.
Agora, se a migração entre religiões é um fato – as pesquisas sugerem e o sociólogo da religião reconhece isso – a pergunta que se deve fazer é: por que tal movimentação acontece e como esse trânsito afeta a vida do país? A imprensa tende fortemente a atribuir essa migração à situação socioeconômica dos fieis. Grosso modo, essa narrativa defende que, quando as condições de vida vão bem, as pessoas buscam religiões – ou alas – mais liberais, menos radicais. Quando as coisas não vão muito bem, com crise econômica, falta de emprego, orçamentos apertados, a tendência é que os fiéis caminhem ao encontro daquelas igrejas que prometem resolver todas as mazelas terrenas, fortalecendo vínculos entre o crente e a entidade. Isso ajudaria a explicar o aumento dos frequentadores dos templos neopentecostais, como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus, nos anos 1990, período de pequenino crescimento econômico – mais uma “década perdida”.
Esse argumento também explicaria o retorno à antiga igreja por parte de alguns fieis, que as pesquisas agora detectaram. “As análises que li sugerem que economia mais estável e melhores condições de vida estariam deixando os religiosos menos preocupados e, portanto, poderiam voltar às suas igrejas de origem, em geral, mais tradicionais e menos míticas”, comenta Rivera. Realmente os dados computados permitem essa interpretação, mas é aí que, avisa o professor, entra a tal análise em profundidade, para além dos números, que reflete sobre o que a estatística não pode medir. “Se o fiel mudou nos últimos 20 anos, a igreja também mudou, até para trazer de volta seu ex-fiel. Os cultos ficaram mais lúdicos, mais mágicos, mesmo nas igrejas evangélicas mais tradicionais e isso atende aos desejos do público”, completa o docente da Universidade Metodista.
Em direção ao conservadorismo?
Seria então tal movimento um reflexo de uma guinada em direção ao conservadorismo que se tem observado? A sociedade estava sentindo falta desse discurso mais antiquado e encontrou isso nas novas alas e formas de manifestação da religião? Rivera destrincha lentamente as questões.
Primeiro, ele reconhece que a onda de conservadorismo existe mesmo, mas, para o pesquisador, não representa a maior parte dos fieis ou dos líderes religiosos. Depois, o trânsito entre religiões para encontrar essas proposições mais antigas se deve também a questões endógenas. Ou seja, à propaganda que as igrejas fazem, à concorrência entre as igrejas, às novidades nas liturgias e ao atendimento mais rápido das necessidades apresentadas pelos fieis. E, segundo o sociólogo da religião, essas palavras agradam a uma parcela da população. Mas existem ainda outras questões externas ao universo das igrejas.
Rivera lembra que a imprensa escolhe suas pautas e agenda, e a religião, ou as religiões, sempre voltam à cena, são assuntos frequentes. O que, nesse grande cenário, será identificado, divulgado e até inflado midiaticamente é parte de uma estratégia maior, que vai da vontade de vender mais jornais até a necessidade de estar afinado com o discurso de alguns grupos de poder.
O pesquisador continua seu raciocínio e diz que, de tanto acompanhar na imprensa que o conservadorismo vem crescendo, ganhando espaço, que o catolicismo está em decadência (com exceção das alas mais conservadoras), que novos líderes tão radicais quanto reacionários estão em evidência, a sociedade realmente acredita e passa a levar o assunto mais a sério que deveria. A imprensa no Brasil e na América Latina (o professor é peruano e conhece essa realidade nos países vizinhos) faz muita força para não dar voz aos atores que defendem a relativização dos valores religiosos.
Por isso a informação destacada nas pesquisas é a queda dos católicos e não o aumento dos sem-religião, que já vinha se apresentando desde 2000, no Censo. Mais: a mídia latino-americana defende que o mundo precisa urgentemente resgatar alguns valores do passado, que estão em falta na sociedade e garantiriam um mundo mais organizado. Ele reforça: não é que a onda conservadora não exista ou não mereça atenção, “mas ela não é hegemônica, como se pinta. Amplificar o valor dos conservadores atende a interesses da imprensa, mas há outros movimentos crescendo e se destacando”, garante Rivera.
O sociólogo lembra da Jornada da Juventude, um mega-evento realizado pela Igreja Católica que, este ano, aconteceu em Madri, na Espanha. O discurso do papa Bento XVI diante dos dois milhões de jovens participantes foi bem duro e bem forte no sentido do conservadorismo. Por outro lado, “também acontecia o que podemos chamar de lado B da Jornada, que era a farra que os jovens promoviam nos acampamentos; e ainda o perdão coletivo às mulheres que abortaram, atitude impensável no âmbito do Catolicismo há dez anos”. Além disso, a não observância às determinações da igreja continua aumentando: o número de divórcios cresce, os casamentos religiosos diminuem, a opção pelo não planejamento familiar é muitas vezes ignorada, cada vez mais países permitem o aborto e o casamento entre homossexuais. Trocando em miúdos: na opinião do professor, portanto, embora as religiões tentem e a mídia encampe, “o conservadorismo não tem sido eficaz como se prega”.
Ainda sustentando essa discussão, as pesquisas oferecem informações importantes a respeito de posturas e escolhas dos jovens. Por um lado, foi entre os brasileiros de 10 a 19 anos que cresceu mais a opção “evangélico não praticante” ou “sem religião” (pessoas que crêem, mas não se vinculam a igreja alguma); por outro lado, um grupo importante de jovens vem optando pela castidade e por seguir os preceitos religiosos à risca. Rivera aponta um paradoxo aqui que, mais uma vez, apenas os levantamentos estatísticos não podem observar com precisão. “Esse menino ou essa menina que usa a camiseta ‘100% virgem’, em contraposição, ou resposta, àqueles que envergam a estampa ‘100% negro’, o faz por escolha. Por uma opção livre e não porque o pai, ou a mãe, ou a igreja assim ordenou”, provoca.
Rivera concorda plenamente com a afirmação feita pelo filósofo Vladimir Safatle também em entrevista recentemente publicada pelo site do SINPRO (“estamos vivendo um tempo em que se costuma atribuir à falta de valores morais as razões de certas situações que, na realidade, têm origem socioeconômica”). E completa a reflexão propondo que, idealmente, a mídia deveria se pautar não pelos valores religiosos, como se eles fossem parte da solução dos problemas do mundo, mas pelos “valores humanos, que podem até se afinar com princípios religiosos, mas sem que essa associação seja obrigatória ou automática. Matar um semelhante é um valor humano. A religião pode até abraçar essa premissa, mas ela é, por princípio, um valor humano, laico”.
O que fica evidente na fala do pesquisador é que as religiões não são senhoras do monopólio da moralidade. E a pergunta que deveria então nortear quem estuda religião, quem estuda sociedade e quem divulga as pesquisas que tocam essas duas esferas seria: a quem interessa não dissociar valores religiosos dos valores humanos? Segundo o professor da Universidade Metodista de São Paulo, quando a gente puder discutir isso abertamente, o receio de um conservadorismo pré-moderno e ou de uma sociedade sem valores entrará em viés de baixa.
Fonte: Universidade Metodista
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Grito dos Excluidos 2010 - "Onde Estão Nossos Direitos?"
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Grito dos Excluidos 2009 - "A Força da Transformação está na Organização Popular"
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Grito dos Excluidos 2008 - "Direitos e Participação Popular"
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Teólogo diz que o coração provoca a inteligência da fé e da comunhão
“O coração convertido ao ecumenismo provoca a inteligência da fé e da comunhão. Isso significa que o coração que se amplia provoca o mesmo na mente”. A afirmação é do teólogo Elias Wolff, do Instituto Teológico de Santa Catarina (Itesc), ao participar do III Simpósio Internacional de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Antonio Carlos Ribeiro
Rio de Janeiro, quarta-feira, 31 de agosto de 2011
O teólogo introduziu o tema afirmando que o pontificado de João XXIII inaugura a mudança de posição da Igreja Católica diante do Movimento Ecumênico e de diálogo com as religiões não-cristãs. Esta é, segundo ele, uma convicção tão firme que a própria celebração do Concílio torna-se um evento ecumênico e dialogal, que conta com a presença de observadores não-católicos. Os observadores propõem, inclusive, questões e fazem observações que integrarão diversos documentos conciliares.
Na visão do Vaticano II, o ecumenismo é visto como modus operandi (modo de operação) e como modus escendi (modo de ser), de forma a escutar o outro e escutar o coração do outro. Wolff lembrou a afirmação “no princípio era a relação”, do filósofo Martin Buber, a partir da qual tudo o mais se constrói a partir da troca entre seres humanos. O ser é ser em diálogo, por isso na comunhão não se pensa ad intra.
Ele identificou tendências nas igrejas que criam dificuldades ao diálogo ecumênico e inter-religioso, como a afirmação através do complexo triunfalístico de poder, na Igreja Católica, da manutenção de uma analogia polêmica do período da Reforma, entre evangélicos tradicionais, e uma luta pelo proselitismo como forma de afirmação, entre os pentecostais.
O teólogo do Itesc enfatizou que o ecumenismo é essencial e não acessório, como afirmou João Paulo II, e por isso torna-se um constitutivo básico do evangelho. “A dificuldade é que em nossa realidade sempre, o ecumenismo acaba sofrendo com dilacerações da identidade eclesial”, afirmou. A partir disso, enfatizou que o diálogo não existe para mudar a verdade do outro, mas para dar conteúdo à expressão da fé.
Wolff recomendou atitudes práticas como compreender o outro na sua verdade, que exigirá passar do conversionismo para o acolhimento. A conclusão pastoral é que o ecumenismo não se faz apenas de bons sentimentos, mas de gestos concretos. E lembrou a expressão de João Paulo II: “Aquilo que nos une é mais forte do que o que nos separa”.
Na visão do Vaticano II, o ecumenismo é visto como modus operandi (modo de operação) e como modus escendi (modo de ser), de forma a escutar o outro e escutar o coração do outro. Wolff lembrou a afirmação “no princípio era a relação”, do filósofo Martin Buber, a partir da qual tudo o mais se constrói a partir da troca entre seres humanos. O ser é ser em diálogo, por isso na comunhão não se pensa ad intra.
Ele identificou tendências nas igrejas que criam dificuldades ao diálogo ecumênico e inter-religioso, como a afirmação através do complexo triunfalístico de poder, na Igreja Católica, da manutenção de uma analogia polêmica do período da Reforma, entre evangélicos tradicionais, e uma luta pelo proselitismo como forma de afirmação, entre os pentecostais.
O teólogo do Itesc enfatizou que o ecumenismo é essencial e não acessório, como afirmou João Paulo II, e por isso torna-se um constitutivo básico do evangelho. “A dificuldade é que em nossa realidade sempre, o ecumenismo acaba sofrendo com dilacerações da identidade eclesial”, afirmou. A partir disso, enfatizou que o diálogo não existe para mudar a verdade do outro, mas para dar conteúdo à expressão da fé.
Wolff recomendou atitudes práticas como compreender o outro na sua verdade, que exigirá passar do conversionismo para o acolhimento. A conclusão pastoral é que o ecumenismo não se faz apenas de bons sentimentos, mas de gestos concretos. E lembrou a expressão de João Paulo II: “Aquilo que nos une é mais forte do que o que nos separa”.
Grito dos Excluidos 2007 - "Queremos Participação no Destino da Nação"
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Grito dos Excluidos 2006 - "Justiça, Trabalho, Educação, Vida, Casa, Pão, Terra, Saúde"
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Grito dos Excluídos 1997 - "Queremos Justiça e Dignidade"
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Grito dos Excluídos 1996 - "Trabalho e Terra para Viver"
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Grito dos Excluídos 2004 - "Brasil: Mudança Prá Valer o Povo Faz Acontecer"
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Grito dos Excluidos 2001 - "Por Amor a essa Pátria Brasil"
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Grito dos Excluídos 1995 - "A Vida em Primeiro Lugar"
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Grito dos Excluidos 2002 - "Soberania Não se Negocia"
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Grito dos Excluídos 2003 - "Tirem as Mãos... O Brasil é Nosso Chão"
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Grito dos Excluídos 2000 - "Progresso e Vida, Patria sem Dívidas"
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Grito dos Excluidos 2011 - "Pela Vida Grita a Terra... Por Direitos Todos Nós"
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sábado, 20 de agosto de 2011
CONIC-MG se mobiliza em grupos temáticos
Mobilizar-se em setores temáticos para uma atuação conjunta. Essa é a estratégia do CONIC-MG para este segundo semestre, traçada durante a reunião ampliada, realizada na manhã de 20 de agosto nas dependências da Segunda Igreja Presbiteriana Unida.
As 20 pessoas presentes se articularam em dez áreas programáticas (Liturgia; Juventude; Jurídico; Comunicação; Financeiro; Saúde; Social; Gênero; Comissão Teológica e Eventos). A partir de agora, essas áreas estarão se mobilizando e informando suas ações, que estarão disponíveis no blog do CONIC-MG: http://conicminas.blogspot.com/
Eventos
Celebração dos 494 anos da Reforma Protestante, presidida pelo CONIC-MG com apoio das igrejas-membro, em 31 de outubro de 2011.
Mobilização das mídias sociais pelo setor da Juventude, buscando um enfoque próprio na linguagem jovem, em um domínio específico no Facebook.
Mobilização em favor da paz no Dia Internacional da Paz, 21 de setembro. Evento na praça Sete de Setembro, lembrando as mulheres que foram mortas de forma violenta. O evento terminará com uma caminhada até a praça da Estação.
Encontro de Fé e Política – 3 de setembro na Paróquia Bom Jesus do Horto. Mais informações em www.pucminas.br/unesp
Grito dos Excluídos em 7 de setembro: Pela vida grita a terra... Por direitos todos nós. Concentração na praça da Estação, a partir das 8h30.
Dia D da Igreja Batista Getsêmani, em parceria com a Comissão Gestora do Desarma Minas – 15 de outubro – Ampliar a Campanha de Desarmamento.
Forum Técnico "Segurança nas Escolas: por uma Cultura de Paz", com audiencias públicas acontecendo nos dias 22 de agosto (Contagem), 25 de agosto (Araxá) e 1 de setembro (Teófilo Otoni) e o Seminário Legislativo "Minas Mais Igual - Pobreza e Desigualdade", com encontros regionais se realizando entre os dias 5 de setembro e 7 de outubro, com inscrições no site da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Seminários estaduais sobre Desenvolvimento Local Sustentável, com foco em economia solidária.
Encontro Estadual do CONIC-MG
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
3ª Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres de Belo Horizonte
Nos dias 2 e 3 de setembro, será realizada a 3ª Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres, presidida pelo Secretaria Municipal Adjunta de Direitos de Cidadania, em parceria com a Coordenadoria dos Direitos da Mulher de Belo Horizonte e com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Belo Horizonte. Dentre os objetivos do encontro estão a análise da realidade brasileira na perspectiva do fortalecimento da autonomia econômica, social, cultural e política das mulheres que contribuam para a erradicação da pobreza extrema e para o exercício da cidadania pelas mulheres belorizontinas, mineiras e brasileiras. A criação de uma plataforma de políticas para as mulheres no âmbito municipal, à luz da discussão dos eixos temáticos definidos nacionalmente e da plataforma definida na II Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres é outro ponto importante do evento.
A 3ª Conferência será precedida de 9 (nove) Pré-Conferências Regionais preparatórias, conforme área de abrangência das Secretarias de Administração Regionais Municipais.
Acompanhe a programação das Regionais.
A 3ª Conferência será precedida de 9 (nove) Pré-Conferências Regionais preparatórias, conforme área de abrangência das Secretarias de Administração Regionais Municipais.
Acompanhe a programação das Regionais.
| REGIONAL | LOCAL | DATA |
| BARREIRO Informações: 3277.1517 | Sede da SARMU Rua Flávio Marques Lisboa, nº 345 - Barreiro | 10/08/11 - Quarta-feira Das 17h30 às 20h30 |
| VENDA NOVA Informações: 3277.5515 | Escola Municipal Antônia Ferreira Rua João Gualberto de Abreu, nº 10 - São João Batista | 17/08/11 - Quarta-feira Das 18h às 21h |
| NOROESTE Informações: 3277.7186 | Sede da SARMU Rua Peçanha, nº 144 - Carlos Prates | 19/08/11 - Sexta-feira Das 15h às 19h |
| PAMPULHA Informações: 3277.7899 | Anhanguera Educacional Av. Antonio Carlos, nº 4.157 - São Francisco | 24/08/11 - Quarta-feira Das 13h às 18h |
| LESTE Informações: 3277.6377 | Auditório Regional Leste Rua Lauro Jacques, nº 20 - Floresta | 25/08/11 - Quinta-feira Das 13h30 às 18h |
| CENTRO SUL Informações: 3277.1997 | Auditório Regional Centro Sul Rua Tupis, nº 149 - 9º andar - Centro | 25/08/11 - Quinta-feira Das 15h às 18h |
| NORTE Informações: 3277.7378 | Auditório da SAMUR Rua Murilo Cassete, nº 25 - São Bernardo | 25/08/11 - Quinta-feira Das 18h às 21h |
| NORDESTE Informações: 3277.9949 | Auditório da SARMU Rua Queluzita, nº 45 - São Paulo | 26/08/11 - Sexta-feira Das 14h às 18h |
| OESTE Informações: 3277.7009 | SEBRAE Av. Barão Homem de Melo, nº 329 - Nova Granada | 26/08/11 - Sexta-feira Das 13h às 17h |
terça-feira, 9 de agosto de 2011
OS GAYS E A BÍBLIA, por Frei Betto
Frei Betto
É no mínimo surpreendente constatar as pressões sobre o Senado para evitar a lei que criminaliza a homofobia. Sofrem de amnésia os que insistem em segregar, discriminar, satanizar e condenar os casais homoafetivos.
No tempo de Jesus, os segregados eram os pagãos, os doentes, os que exerciam determinadas atividades profissionais, como açougueiros e fiscais de renda. Com todos esses Jesus teve uma atitude inclusiva. Mais tarde, vitimizaram indígenas, negros, hereges e judeus. Hoje, homossexuais, muçulmanos e migrantes pobres (incluídas as “pessoas diferenciadas”...).
Relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são ilegais em mais de 80 nações. Em alguns países islâmicos elas são punidas com castigos físicos ou pena de morte (Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Nigéria etc).
No 60º aniversário da Decclaração Universal dos Direitos Humanos, em 2008, 27 países membros da União Europeia assinaram resolução à ONU pela “despenalização universal da homossexualidade”.
A Igreja Católica deu um pequeno passo adiante ao incluir no seu Catecismo a exigência de se evitar qualquer discriminação a homossexuais. No entanto, silenciam as autoridades eclesiásticas quando se trata de se pronunciar contra a homofobia. E, no entanto, se escutou sua discordância à decisão do STF ao aprovar o direito de união civil dos homoafetivos.
Ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hétero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatário da graça divina.
São alarmantes os índices de agressões e assassinatos de homossexuais no Brasil. A urgência de uma lei contra a homofobia não se justifica apenas pela violência física sofrida por travestis, transexuais, lésbicas etc. Mais grave é a violência simbólica, que instaura procedimento social e fomenta a cultura da satanização.
A Igreja Católica já não condena homossexuais, mas impede que eles manifestem o seu amor por pessoas do mesmo sexo. Ora, todo amor não decorre de Deus? Não diz a Carta de João (I,7) que “quem ama conhece a Deus” (observe que João não diz que quem conhece a Deus ama...).
Por que fingir ignorar que o amor exige união e querer que essa união permaneça à margem da lei? No matrimônio são os noivos os verdadeiros ministros. E não o padre, como muitos imaginam. Pode a teologia negar a essencial sacramentalidade da união de duas pessoas que se amam, ainda que do mesmo sexo?
Ora, direis ouvir a Bíblia! Sim, no contexto patriarcal em que foi escrita seria estranho aprovar o homossexualismo. Mas muitas passagens o subtendem, como o amor entre Davi por Jônatas (I Samuel 18), o centurião romano interessado na cura de seu servo (Lucas 7) e os “eunucos de nascença” (Mateus 19). E a tomar a Bíblia literalmente, teríamos que passar ao fio da espada todos que professam crenças diferentes da nossa e odiar pai e mãe para verdadeiramente seguir a Jesus.
Há que passar da hermenêutica singularizadora para a hermenêutica pluralizadora. Ontem, a Igreja Católica acusava os judeus de assassinos de Jesus; condenava ao limbo crianças mortas sem batismo; considerava legítima a escravidão e censurava o empréstimo a juros. Por que excluir casais homoafetivos de direitos civis e religiosos?
Pecado é aceitar os mecanismos de exclusão e selecionar seres humanos por fatores biológicos, raciais, étnicos ou sexuais. Todos são filhos amados por Deus. Todos têm como vocação essencial amar e ser amados. A lei é feita para a pessoa, insiste Jesus, e não a pessoa para a lei.
Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais, autor de “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros.
Moral? , por Rose Marie Muraro
A honestidade e a moralidade da maioria da população sempre foram o esteio da sociedade de classes
Rose Muraro - Agencia Essa
O ARTIGO de Paulo Betti ("Tendências/Debates", 5/9) e a polêmica que desencadeou mexeram comigo. Por isso, gostaria de colaborar com algumas reflexões.
No livro "Sexualidade da Mulher Brasileira: Corpo e Classe Social no Brasil", que escrevi com a colaboração de vários especialistas, descobrimos a lógica das classes.
Desde que nascem, as crianças ricas têm todos os seus desejos satisfeitos. Por isso, tendem, até o fim da vida, a considerar que o mundo lhes pertence, porque tudo o que a criança percebe no primeiro ano de vida é impresso não só em seu inconsciente mas também em seu próprio corpo.
Já os filhos de camponesas mais pobres, em geral desnutridas e que não têm tempo de cuidar das crianças, percebem que sua fome e seus desejos não são para ser satisfeitos. Assim, apreendem, sem questionar, o mundo como expropriador de seus direitos essenciais.
Essa é a base da relação opressor/oprimido, característica essencial do sistema competitivo/capitalista/neoliberal, que nunca é, nesse nível inconsciente, questionada pelas pessoas. A classe dominante, sem pudor, faz as leis e as transgride segundo seus interesses. A dominada (da classe média para baixo) é ensinada que tem de obedecer a essas mesmas leis -porque, senão, será punida- e que todo cidadão tem de ser honesto para ser aceito.
Desde sempre, a transgressão das leis é chamada de corrupção. Na atual sociedade da informação, a novidade é que a mídia, mesmo que não queira, é obrigada a denunciar episódios de corrupção e fraude. Se não o fizer, não "vende" para a grande maioria, honesta e indignada.
Ou seja, a honestidade e a moralidade da maioria da população sempre foram o esteio da sociedade de classes. As religiões sempre ensinaram que só o amor e o altruísmo levam a uma vida melhor depois da morte. Assim, no decorrer dos milênios, foi se criando uma dupla moral. A dos senhores, que podiam fazer tudo o que quisessem, e a dos subordinados, que tinham de respeitar a lei para poderem ser felizes após a morte.
A boa novidade no Brasil é que essas maiorias elegeram um presidente oriundo da classe dominada, de quem não se esperava que transgredisse a lei da honestidade e da moralidade. E quando ele se viu obrigado a jogar o jogo da classe dominante para continuar no poder, houve uma grita a partir da classe média, sinceramente honesta, contra a corrupção e a fraude que esse mesmo presidente antes condenava.
E os pobres, que sabem desde o nascimento que são expropriados de quase tudo, crêem, também sinceramente, que, já que são sempre roubados pelos dominantes, pelo menos darão o seu voto a quem reparte com eles alguma fatia desse roubo.
Toda essa lógica foi corroborada por um amigo banqueiro que me dizia: "Você é uma idiota romântica. Corrupção é correlação de forças, e fraude são as leis do mercado". Esse pensamento é típico dos que dominam o sistema neoliberal e que sabem que, se forem honestos, serão logo derrotados na competição; se não tiverem "caixa dois", estarão trabalhando para o governo sem lucrar e logo entrarão no vermelho.
Essa lei não escrita é duríssima, mais para a classe dominante que para os que se acomodam na sua honestidade. Todo grande empresário ou político sabe que a competição é mortal. E eles têm de sobreviver à custa da morte simbólica dos outros. Eles fabricaram a noção de moralidade para que os dominados continuassem pobres, sem competir com eles (ricos), mas eles mesmos sabem que o jogo entre os seus iguais é muito pesado.
A única queixa que tenho do presidente Lula é que, em vez de trocar as antigas elites por novas elites menos corrompidas, ele fez a troca pela metade, deixando na área econômica todo o poder ao sistema financeiro,
quebrando, com isso, o sistema produtivo. Mexer com o sistema financeiro seria bater de frente com o sistema dominante.
quebrando, com isso, o sistema produtivo. Mexer com o sistema financeiro seria bater de frente com o sistema dominante.
A verdadeira luta pela justiça é trocar as elites antigas por outras mais comprometidas com a justiça. Ser moral dentro de um sistema imoral é legitimar a imoralidade. A ética só é verdadeira quando se trata o
problema a partir de suas raízes, transformando um sistema mortal e competitivo num outro em que as decisões sejam tomadas pela sociedade organizada de baixo para cima e que, portanto, possa suprir as necessidade de todos, e não apenas as de uma classe treinada desde que nasce para ter seus interesses atendidos a qualquer preço. Acho que só é honestidade a luta contra a injustiça.
problema a partir de suas raízes, transformando um sistema mortal e competitivo num outro em que as decisões sejam tomadas pela sociedade organizada de baixo para cima e que, portanto, possa suprir as necessidade de todos, e não apenas as de uma classe treinada desde que nasce para ter seus interesses atendidos a qualquer preço. Acho que só é honestidade a luta contra a injustiça.
ROSE MARIE MURARO, 75, formada em física e em economia, é editora, escritora e fundadora do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
Reunião Ampliada
Data: 20 de agosto de 2011
Horário: 8h30 às 12h
Local: Igreja Presbiteriana Unida, Rua Guajajaras, 1687 - Barro Preto/ BH
Horário: 8h30 às 12h
Local: Igreja Presbiteriana Unida, Rua Guajajaras, 1687 - Barro Preto/ BH
PRIMEIRO MOMENTO
1. DEVOCIONAL: responsável - Igreja Presbiteriana Unida (IPU)
1. DEVOCIONAL: responsável - Igreja Presbiteriana Unida (IPU)
2. ORGANIZAÇÃO DOS SETORES TEMÁTICOS (conforme anexo)
Solicitamos que as pessoas inscritas nos respectivos setores, tragam suas sugestões, tendo em vista a maior participação e envolvimento de nossas igrejas na dinamização e descentralização do CONIC-MG, para que a dimensão Ecumênica da Fé Cristã chegue ao coração do maior número possível de pessoas, especificamente de nossos adolescentes e jovens.
10h30 - Intervalo (trazer lanche para partilha)
SEGUNDO MOMENTO
1. AVALIAÇÃO DA SEMANA DE ORAÇÃO:
(Grande Belo Horizonte e outras cidades)
2. "GRITO DOS EXCLUÍDOS"
2. "GRITO DOS EXCLUÍDOS"
Informações sobre a sua preparação - Rev. Bernardino (representante do CONIC-MG na Equipe Organizadora)
3. OUTROS INFORMES
3. OUTROS INFORMES
4. ENCERRAMENTO - Ir. Márcia
Estamos aguardando vocês!
Pelo CONIC MG
Ir. Márcia
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
16ª Caminhada da Juventude ao Santuário Nossa Senhora da Piedade
Mais uma vez a Juventude da Arquidiocese de Belo Horizonte, subirá no dia 15 de agosto ao Santuário Estadual da Serra da Piedade com muita alegria e fé, impulsionados Com Maria, firmes na fé.
Está caminhada está sendo realizada pelo Secretariado Arquidiocesano de Juventude (SAJ) da Arquidiocese de Belo horizonte, com apoio do Vicariato Episcopal para a Pastoral, Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política, Rede Catedral de Comunicação e Santuário Estadual de Nossa Senhora da Piedade.
A caminhada representa muito para a Juventude Arquidiocesana, e gostaríamos de convidar todas as paróquias, grupos, movimentos, entidades, projetos a participar conosco deste momento de fé, de reflexão, de alegria, de conscientização, de preservação, de acolhida, de socialização. Como todos os anos a Peregrinação acontecerá no dia 15 de agosto de 2011 com início previsto para as 08hs no estacionamento e encerramento às 15hs no Santuário.
Informações e Orientações:
1 - Cadastro de caravanas
Aos organizadores das caravanas, será necessário um cadastro prévio de sua caravana, para melhor controle e administração do evento. A ficha de inscrição pode ser solicitada junto à secretaria da Peregrinação. Nela deve contar o nome do coordenador, paróquia, grupo ou movimento, contatos e RG de todos os participantes.
Cada caravana receberá um número de identificação no momento do cadastro junto à secretaria.
Telefone: (31) 3428-7943 / 3269-3132, pelo e-mail: juventudenaserra@gmail.com ou no blog: juventudeserradapiedade.blogspot.com
2 – Taxa para manutenção e preservação
O Santuário Estadual de Nossa Senhora da Piedade estará recebendo uma taxa de visitação para ajudar na manutenção e preservação de sua ampla área ambiental e dos projetos que estão sendo desenvolvidos. Os valores são o seguinte: Ônibus: R$25,00 / Carro: R$5,00 / Moto: R$5,00
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