quinta-feira, 28 de julho de 2011

Católicos e judeus fortalecem diálogo e promoverão ações sociais conjuntas

Em encontro de Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, com jovens da comunidade judaica de São Paulo, realizado em 28 de julho na capital paulista, representantes da Igreja Católica e da comunidade judaica paulista informaram que estudam a organização de atividades conjuntas para a promoção da justiça social.

Os contatos para tratar a questão estão sendo feitos pelo Padre José Bizon, assessor da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB e participante da Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico-Judaico (CNDCJ); por Alberto Milkewitz, diretor institucional da Federação Israelita de São Paulo (Fisesp); e Raul Meyer, ativista comunitário e responsável pelo núcleo de relação com os católicos na Fisesp.

Segundo Bizon, as seguintes entidades católicas participarão da ação conjunta: Hospital Amparo Maternal, Centro Nossa Senhora do Bom Parto, Cáritas e Irmãs Palotinas. A Fisesp deve definir em breve o formato institucional da participação judaica.

No rico debate, que abordou o diálogo entre católicos e judeus, Odilo Scherer afirmou que há muito mais concordâncias que divergências entre as duas religiões. “A promoção da tzedaká, justiça social, é nosso caminho comum, a partir de nossa base comum. O papel da religião é o cuidado com o humano”.

Scherer lembrou que o contato entre judeus e católicos no Brasil remete a meados do século 20, entre o Padre Humberto Porto, capelão do Colégio Sion, e Hugo Schlesinger, um dos fundadores, no Brasil, da Fraternidade Cristão-Judaica, instituição que nasceu na Europa logo após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Schlesinger é avô do rabino Michel, da Congregação Israelita Paulista, que participou do debate de ontem e é representante da Confederação Israelita do Brasil na promoção do diálogo inter-religioso entre judeus e católicos

O rabino explicou os quatro níveis em que ocorre este diálogo: institucional, teológico, ações sociais e contatos pessoais. Ele observou que o diálogo ocorre em diversas capitais brasileiras e que são promovidos encontros anais de âmbito nacional. Em 2011, o encontro será em Curitiba. Para mais detalhes sobre a aproximação entre judeus e católicos, leia entrevista concedida por ele ao site da Conib.

Odilo Scherer ressaltou a importância da Declaração Nostra Aetate para a aproximação entre as duas comunidades. Ela foi publicada em 1965 pelo Papa Paulo VI, durante o Concílio Vaticano II, convocado ainda no papado de João XXIII, e afirma, em seu parágrafo quarto: “Sendo assim tão grande o patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos judeus, este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão, sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos”.

O cardeal revelou sua afinidade pessoal com o judaísmo: “Desenvolvi grande afeição pelo povo judeu, por meio do estudo da Sagrada Escritura. Somos herdeiros da sabedoria do povo de Israel”.

Ele respondeu a perguntas sobre a hierarquia da Igreja Católica, sobre o diálogo com as várias vertentes do cristianismo e com o islamismo, sobre a situação da Igreja Católica na Venezuela (“tensa, nos últimos anos, pois Hugo Chávez quis dividir a Igreja”). Também expôs a posição do Vaticano no conflito entre israelenses e palestinos: a Igreja é favorável à criação de um Estado palestino e à internacionalização de Jerusalém, que se tornaria uma cidade neutra para as três principais religiões monoteístas.

Perguntado se o próximo papa será conservador ou progressista, ele respondeu: “O próximo papa será... um papa”.

O encontro com Odilo Scherer foi promovido pelo Programa de Novas Gerações do Congresso Judaico Latino-Americano, presidido pelo brasileiro Jack Terpins, também presente ao debate.

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