sexta-feira, 1 de junho de 2012

Igreja Consciente Gera Vida - por Pastor Jorge Diniz

        Vivenciamos uma realidade de busca alucinada de poder econômico em detrimento à preservação ambiental. Diante dela é relevante à igreja cristã pensar sobre essa realidade e propor ações possíveis de conscientização, educação, preservação e correção onde a cosmovisão cristã influencie promovendo um envolvimento na sociedade gerador de outra possível realidade mais equilibrada e sustentável.

        Quando observamos os movimentos em busca desse equilíbrio ambiental, movimentos que chamam para si a responsabilidade do cuidado e da preservação, constatamos o envolvimento de pessoas com pouca consciência cristã e saturadas de ideologias meramente humanas. A demonstração de um comprometimento com a causa reflete um cristianismo puro e simples expresso nas Escrituras. O envolvimento dos não cristãos nas causas ambientais constrange, ou deveria constranger a igreja diante de tamanha perfeição explícita na criação. Criação que é deteriorada pelo uso irresponsável daquele que foi criado à imagem e semelhança do Criador e sustentador de todas as coisas. Adão, imagem de Deus, é também a tipificação de toda a humanidade que a nega sua responsabilidade original de cuidado e usa irresponsavelmente todos os recursos naturais criados. Nós os usamos irresponsavelmente.
        A segunda constatação é a omissão da igreja que define “obra da Deus” ou “trabalho para o Senhor” somente aquilo que está ligado diretamente à esfera pística (do grego “pistis”, fé). A igreja institucional, seus cultos, programas, eventos, projetos, sua eclesiologia e tudo mais são sim prioridades na vida cristã, é para isso que os cristão vivem. É essa a ideia que deve ser combatida. É como viver em dois mundos, uma dicotomia doentia que demanda envolvimento em um dos lados em detrimento do outro que é “secular e mundano”. A ignorância, inação, inatividade, inércia, insensibilidade, letargia e preguiça da igreja são refletidas no seu não envolvimento. Essa omissão reflete ignorância diante das Escrituras e uma limitação na compreensão da abrangência do que é espiritualidade e do quanto essa espiritualidade cristã envolve o cuidado para com o todo, inclusive para com o meio ambiente.
        O terceiro olhar diante dessa realidade é a consideração ou desconsideração do legado que carregamos desde a criação. Deus, quando formou o homem à sua imagem e semelhança, o abençoou e lhe deu obrigações: dominar e cuidar de tudo aquilo que tinha sido criado, inclusive de nominar os animais. A igreja, em sua história, tem demonstrado desconsideração completa desse legado original, dessa responsabilidade, envolvendo-se em questões ritualísticas e afastando-se das obrigações de cuidado devido de todas as coisas criadas que foram colocadas sob a responsabilidade da humanidade.
        A esperança é que o próprio Deus atraia novamente a seus próprios filhos, abrindo-lhes a consciência, agora com uma atração irresistível ao cuidado para com a criação, uma atração ao envolvimento comprometido com ações e movimentos ambientais, na reeducação ambiental, no arrependimento diante de uma história cristã de omissão e uma atração à convicção do legado original demonstrado em um comportamento transformador da igreja no meio da sociedade em que vive. Que o Senhor seja glorificado com essa nova postura de sua igreja.
No amor do Eterno.
Rev. Jorge Diniz.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Segunda Igreja Presbiteriana

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